Domingo, 18 de outubro de 2026
(") por Marcius Túlio Amaral Pereira
Coronel da Reserva da PMMG
Como será que o mundo civilizado, minimamente racional, enxerga a civilização brasileira diante dos acontecimentos protagonizados pela elite dirigente nos últimos tempos?
Como será que esse mesmo universo vê esse país como Estado que se diz soberano, que se autointitula o país do futuro?
Da mesma forma, como o brasileiro é visto quando se apresenta como tal no mundo dos negócios, na luta pela preservação ambiental, no combate ao terror internacional, nas relações diplomáticas e interpessoais ou diante da comunidade científica?
São perguntas recorrentes no meu íntimo e talvez no pensamento de algumas pessoas que ainda acreditam no Brasil e que preferem aqui viver por amor ao solo brasileiro, pelo orgulho de ser nacional do Coração do Mundo e que se importam ou se incomodam com o respeito internacional.
As mazelas produzidas por irresponsabilidades institucionais perfeitamente absorvidas pelos interesses narcisistas e financeiros, sem compromisso com as gerações futuras com as quais o brasileiro passou, passiva e pacificamente, a conviver por descrédito, por isenção, por medo, por comodismo, por ignorância ou mesmo por maldade, crueldade ou vingança inserem o país no mapa dos indesejáveis, das republiquetas na contramão da evolução enquanto país e enquanto nação.
Não é crível que personagens, comprovadamente envolvidos em escândalos de proporções gigantescas, em crimes contra a humanidade, que se locupletaram com a desgraça dos mais fracos ou menos favorecidos, trafeguem com naturalidade, impunes e ainda mais reprovável, ocupem cargos de alto escalão, que conseguem, sabe-se lá como, se eleger pelo sufrágio universal.
É insuportável que quase a metade da população ainda legitime o estado de coisas em que o atual sistema político internou o país, uma UTI de escândalos cada vez mais graves, de mentiras encomendadas e hipocrisia remunerada em nome de uma rivalidade insana, cujo maior perdedor é o país e, consequentemente, a população.
Vivemos sim, o apogeu do ridículo, a epopeia da vergonha, o êxtase da desonra, não é uma questão de ideologia ou de direita ou esquerda, é uma questão moral, de sobrevivência, de visualizar o futuro e não o presente fugaz, efêmero e dissolvente, estamos e estaremos no mesmo barco.
A libertinagem não pode ser confundida com liberdade, os arroubos megalomaníacos não podem ser confundidos com progresso, as mentiras confirmadas, os discursos recorrentes e repetitivos não podem ser confundidos com compromisso.
O notório, reincidente e vergonhoso envolvimento lascivo de altas autoridades da República com gangsters corruptos e corruptores, amplamente divulgados, comprovados, de domínio público parece não abalar as estruturas do poder carcomido pela vaidade, pela soberba e pela ambição, ao contrário, parece alimentar o escárnio do qual somos, nós os mortais, as únicas vítimas fatais, não temos a quem ou onde recorrer.
A tão falada soberania, evocada aos quatro ventos é mero instrumento para calcificar, pavimentar e solidificar a estrutura purulenta que se apoderou do Brasil sem receios, para silenciar e cancelar os focos de resistência e para erguer o império do terror macabro.
É nauseante depararmos com corruptos para denunciar a corrupção, é decepcionante conviermos com denunciantes serem investigados em detrimento da denúncia, por mais grave que seja, é irracional agregarmos isso ao nosso cotidiano.
Sigilos de 100 anos que ocultam ações ou operações clandestinas/criminosas, rastrear vazamentos que esclarecem crimes de alta repercussão e gravidade para encobrir ou desviar a atenção, as famosas cortinas de fumaça, buscar subterfúgios inócuos e delirantes se tornaram uma prática usual das autoridades da República, atos corriqueiros, brasileiramente permitidos e institucionalizados.
Esse não é um caminho salutar para uma nação que um dia pretendeu ser chamada de país ou Estado soberano, essa não é a tendência de um povo que um dia clamou por liberdade ainda que tardia, essa não é a sina daqueles que cultuam a moral, os valores familiares, o respeito mútuo e o amor incondicional.
Somos nós por nos mesmos, nós somos os soberanos.
Paz e Luz.